Opinião

“As Luzes de Leonor” de Maria Teresa Horta

As Luzes de Leonor é um dos livros da minha vida. Maria Teresa Horta é uma das escritoras mais importantes da minha biblioteca.

Sinto que a Maria Teresa Horta dedicou tantos anos a esta Leonor porque é quase como se ele fosse um alter-ego da escritora, uma das mulheres que foi processada por publicar um livro! Esta Leonor é um espelho da poetisa que a retrata com tanto amor e com tanta poesia, é uma homenagem.

Este livro tem uma particularidade curiosa, quem gosta da escrita da poetisa tende a fugir dele e, através dele, chegam à escritora outro tipo de leitores. As Luzes de Leonor é um romance sobre Leonor de Alorna, o que pressupõe a sua categorização como “Romance Histórico”, que justifica estes movimentos. No entanto, quem vem à procura do romance histórico tipo, desilude-se tremendamente, o que é a boa notícia de quem foge deste título da autora (e as suas 1050 páginas não ajudam)…

Este livro é uma ode ao feminismo, uma carta aberta ao amor. Enquanto o romance histórico típico se centra na enumeração factual de etapas de um percurso, aquilo que MTH nos mostra é a razão, a paixão, o desespero com que Leonor atravessa toda a sua vida. Há muita pulsão neste livro, que foi o que me fez olhar para Leonor, e ainda faz, sem um cunho histórico, sendo uma personagem literária, mais do que uma Marquesa da linhagem dos Távoras. Para mim é, e julgo que será sempre, uma das personagens mais bonitas, mais completas, mais carismáticas da literatura. Fiquei tão fascinada com Leonor, que decidi ler a versão de Maria João Lopo de Carvalho e não consegui aguentar 50 páginas – depois de se ler uma MTH é impossível ler a mesma história de uma forma tão não-literária. Pelo que percebi através de comentários, as pessoas que não gostam referem-se à falta de mais “factos”, pois o que pode faltar em factos (que não conhecendo a história, não posso opinar muito) transcende em poesia, porque o que Maria Teresa Horta fez, foi uma viagem ao âmago de uma mulher como, infelizmente, ainda há poucas em Portugal, mas felizmente, o nosso país tem uma Maria Teresa Horta, que não deixa esquecer os mais incautos, de que temos ainda muito caminho a percorrer!

 

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