Opinião

“O escuro que te ilumina” de José Riço Direitinho

Um homem, a sua solidão e um telescópio. Uma mulher que vive no prédio em frente, a quem conhece os traços, os gestos e até o cheiro. Apaixonado pela mulher que conhece plenamente, embora ela não saiba da sua existência, esse homem, ébrio na sua solidão, torna-se um voyuer das vidas alheias. De “olhar amoral”, este homem, imerge num mundo de devassidão, activa e passivamente, numa procura de si próprio, tentando encontrar nas histórias dos outros, a redenção que procura em si. Este livro tem pouco de pornográfico e muito de fé. É a história de um homem que, ao desembaraçar-se do seu sentimento de culpa, se sente cada vez mais perto da plenitude. Ao longo de 10 meses, este homem cruza-se com diversos abismos, com o escuro que ilumina cada uma das personagens cujas vidas visita inadvertidamente, suprindo o seu arbítrio e o dos outros nesse processo.

José Riço Direitinho escreveu “um livro que não existe em Portugal”, um livro no qual vai mais longe do que as rosas e os espinhos do amor, vai ao âmago da solidão. Um livro que nos confronta com os lugares mais obscuros a que a busca pelo nosso existencialismo nos leva,. Os abismos para onde, essa procura, nos empurra. Sem culpa, sem medo, sem censura, sem metaforizar o que precisa de ser real, através de uma escrita crua, este livro confronta-nos com o escuro que ilumina o nosso interior, se assim o permitirmos.

 

Um exemplar deste livro foi oferecido à Cristina Gaspar, autora da frase vencedora. Este sorteio foi apoiado pela Quetzal e pela Bertrand, que cederam o exemplar sorteado, e pelo autor que, além de se disponibilizar para autografar o livro, seleccionou a frase.

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