Lusófonos,  Opinião

“Jóquei” de Matilde Campilho

“Jóquei” é um livro que se dança. Um livro que balança dentro de nós. Não nos ritma para bater o pé, não – a meio de um poema, Matilde Campilho faz-nos badalar o torso, dos ombros às ancas. Só nos apercebemos quando as letras do livro já balançam em sentido oposto, porque é assim que dança o par ideal, sempre no sentido oposto, como um espelho, não para chocar, mas sim para complementar.

Matilde Campilho é uma escritora portuguesa e “Jóquei” é o seu primeiro livro editado depois de muitos poemas publicados em jornais e revistas, e tal como Matilde, a sua linguagem atravessa o Atlântico e funde-se num sotaque único entre Portugal e o Brasil e nas raízes que se constroem ao redor das que já estão sedimentadas.

Será que se pode dizer que um livro “é fofinho”? Se se puder, aliás, eu arrisco-me a fazê-lo, Matilde Campilho escreveu um livro fofinho que se situa entre o desconhecido, o amor, a memória e o trajecto, numa poesia prosaica (ou numa prosa poética?) em que não há narradores nem narrados, mas sim lugares, momentos, música, poetas, até Mahler num serrote. Atravessamos estradas de Lisboa a Brooklin, visitamos a rua em que Billy Roi nasceu. Encontramos muita beleza pelo caminho, mas não nos livramos de desilusões e de uns bons chapadões.

“Jóquei”, tem um pé no samba e outro na bossa nova, circula no meio do Atlântico e faz-nos sorrir e virar cada folha de alma, mais ou menos, cheia. Embora nem todos os poemas tenham o mesmo impacto, como acontece com tantos outros livros de poesia, terminamos este livro com uma sensação de preenchimento e de boa energia, uma energia pacífica e enternecedora. Quem acha que não tem uma boa relação com a poesia, não deve colocar de lado este livro pois ele é muito mais do que a sua estrutura em versos soltos.

Já com o seu segundo livro publicado, “Flecha”, também pela Tinta da China, Matilde Campilho parece-me ser uma voz bastante promissora no panorama da literatura nacional. E que voz, rouca, com misturas de sotaques e cujo discurso transparece uma busca pela por si, pela vida, pelo outro, pelo belo… e o que pode ela fazer com isso se não devolver-nos desta forma tão bonita e especial?

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