Agora Cronico Eu

O escaparate do Público

Estava a ler o Público antes de adormecer e fiquei curiosa com umas “sugestões de leitura”:

  • “Mais casos de covid no Norte.”
  • “Em Lisboa “incidência” do teletrabalho.”
  • “Sete médicos com processos disciplinares por veicular desinformação sobre covid-19.”
  • “Covid-19: Portugal teve o segundo dia com mais casos.”
  • “Escolas encerradas: professores dão aulas nas ruas.”
  • “O Governo devia ter coragem forte para fazer um plano de Inverno não centrado na covid”

Como ainda não tinha ouvido falar destes livros, fiquei curiosa e segui os links para tentar ler as sinopses, mas afinal o Público agora está numa de disponibilizar apenas os primeiros capítulos das obras, tal como fez recentemente dos livros “Felicidade” de João Tordo, “Contra Mim” de Valter Hugo Mãe e um bónus de dois capítulos de “Um Tempo a Fingir”, o novo romance de João Pinto Coelho. Mas…. tudo isto para assinantes, claro. Confirmei e os links não têm conta de afiliado na Wook, Bertrand, Bookdepository, Amazon, Kobo, Fnac, Livraria Solidária, Dona Ajuda, RELI ou na secretária do José Rodrigues dos Santos, somam apenas descontos de 20% na Tinta da China, mas em livros editados há mais de dezoito meses. Também não dão desconto nas entradas em Auschwitz nem em Chernobyl, que mais tarde ou mais cedo vai ser sequela das Mil e Uma Aventuras de Anne Frank.

Sinceramente, a possível rapidez das publicações não me surpreendeu porque todos sabemos que há já os chamados fast-books – é só juntar o tema, que a base já se vende pré feita, por exemplo: “… Médicos com processos disciplinares por veicular…” – é só acrescentar o número e o tema, que há bastante material para um calhamaço maior que o “Guerra e Paz, ou mesmo “O Governo devia ter coragem forte…” para este além dos vários temas, existem até vários formatos, não-ficção (extratos de debates já com nomes de deputados),entrevistas com vários canais televisivos e guiões pré-estabelecidos, ficção em nível de novela ou de discursos lidos em assembleia, entre tantas outras possibilidades.

É por isso que aqui dou o exemplo do público: num jornal diário a edição deixa-se semi-preparada com campos em aberto para serem preenchidos durante a madrugada minutos antes da impressão. Por norma, as crónicas saem de manhã baseadas nas manchetes dos diários e, com a proliferação da internet, também se vão escrevendo ao longo do dia acompanhando os segmentos “ao minuto”. Com alguns livros, a coisa não difere muito, podemos ver que ainda estávamos a meio de quarentena e já tínhamos best-selllers a explicar o vírus aos cientistas.

A necessidade faz o engenho, a batina faz o padre e a Fórmula, fê-la o José Rodrigues dos Santos, com a ajuda de Deus Nosso Senhor que faz de tudo menos salvar-nos do Covid ou dos livros do outro, que como já não tem quem os compre, já os oferece anonimamente pelo correio.

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