Agora Cronico Eu

Hoje o Público estava ocupado, por isso tive de ir ao quintal

Todos os dias durante o pequeno-almoço, tenho o hábito de passar os olhos pelo Público online, jornal onde tenho ido buscar conteúdo para estas crónicas e hoje não foi excepção – e imensos temas saltaram logo à vista. No entanto achei que este espaço estava a ficar demasiado sério e que não lhe fazia mal nenhum um pouco de humor para aliviar o ambiente, por isso decidi ler o Correio da Manhã. E se no Público não faltavam temas, imaginem no pasquim…

Bem, para não me perder que o tempo aqui em casa escasseia e a Pinota não pára de berrar com fome: o “jornal” anunciava que, em Setúbal, cerca de 150 pessoas vivem há quase uma semana sem água. Tentei ler o que se passava, não fosse o conteúdo falar sobre o entupimento do Chafariz do Sapal, mas aquele conteúdo era exclusivo para assinantes, sendo que podia pagar 1€ por mbway para ter acesso a todas as notícias do dia. Eu gosto imenso do meu dos meus 2 leitores fiéis, a minha irmã e a minha outra conta, mas não a esse ponto. Então resolvi escrever sobre a minha experiência de ficar sem água em casa durante mais de 2 semanas (o Obi-Wan Markl diz que, ao que partilhar situações que envolvem algum constrangimento ao que assina, a “autoparódia”, criamos empatia no leitor que talvez já tenha passado por situações semelhantes “é libertador”).

Mas voltando onde ainda não consegui chegar: Eu estou na minha casa desde Dezembro do ano passado, era a casa dos meus bisavós que eu quis muito reconstruir. Mas… como tudo na minha vida, também a minha casa é um wor-in-progres, principalmente ao nível de canalização e saneamento (casas novas a partir de velhas, já se sabe…), ou seja, se a Dra. Maria das Dores me conhecesse, convidava-me logo para uma TED Talk no Luísa Todi, mas… com 1 habitante por fila e antes do dia 30, obviamente. Desde que aqui vivo já devo ter ficado sem água, ou impossibilitada de a utilizar, cerca de 5 vezes, sendo que as últimas duas aconteceram no último mês: na primeira, por causa do arranjo do muro rebentou-se um cano que demorou dois dias a arranjar porque tivemos de refazer a canalização de outra forma. Quando ficou arranjado percebemos que o poço estava seco (sim, na aldeia ainda se usa água do poço, poupo um livro ou dois por mês…), o que demorámos um dia a resolver. Talvez não saibam, mas um poço é um buraco no chão, e chão é igual a terra, e terra a levar toneladas de água significa lama a sair das torneiras durante 2 semanas. Solução: garrafões e garrafões de água num carro de mão da fonte para casa; felizmente, quando veio a lama pude, ao menos, utilizar o autoclismo (embora ficasse sempre confusa se o tinha ou não descarregado. Cheguei mesmo a ponderar se estaria com alguma infecção por ver uma urina tão escura: “Ah, é só lama, espero!”!). Continuando: este fim-de-semana, fizemos obras no quintal e aproveitámos para arranjar a caixa de esgoto que não tinha ficado muito bem feita (estávamos com tanta pressa, que muitos dos acabamentos foram adiados para o Verão, vulgo, Inverno seguinte.), resultado: mais um dia sem puder utilizar a água porque a saída do esgoto tinha de secar. Felizmente os meus pais vivem ao lado e durante o dia pude servir-me das suas instalações sanitárias. Mas… eu que sou bicho nocturno, também preciso de aliviar a bexiga durante a madrugada e, como o fruto proibido é o mais apetecido, mesmo inibindo-me de ingerir líquidos, tive mais vontade do que o normal. Felizmente sou uma gaja desenrascada e lá abri a porta para ir a um canto do quintal. Os meus cães aproveitaram a deixa e aliviaram-se também, com a devida distância de segurança, apesar de não estarmos na via pública – valeu-me a prática de litros e litros cerveja consumida na rua e, não devo negar, foi um bonito momento de intimidade com os meus cães, como nunca tivemos em 8 anos de co-habitação.

Resumindo: nada de novo e emocionante na notícia do Correio da Manhã, sendo que não se esperava outra coisa. Embora a punch-line desta crónica poderá ser que… a carreira de Nuno Markl, formado em jornalismo começou nesse mesmo jornal – aqui sem aspas, porque na altura ainda se podia mesmo considerar jornal.

Agora devem com certeza estar a perguntar-se: mas, meu deus, (sem caps porque podem não ser religiosos e usar o termo só para efeitos de exclamação), como é que sabes tanta coisa? Simples… Porque estou a ler o livro “Com o Humo Não Se Brinca” de Nelson Nunes onde ele fala com vários humoristas sobre esse ofício divino. É um livro que aconselho muito porque nos ensina muito sobre o backstage do bakstage do humor, levantando questões questões como a escassa presença feminina na área, o humor negro, os seus limites, além de nos dar a conhecer o percurso dos mais interessantes humoristas portugueses contemporâneos. Eu abordo o Obi-Wan-Markl aqui, não só porque é, a par com Jerry Seinfeld e João Quadros, o meu humorista favorito, mas essencialmente porque é o primeiro e eu ainda só li 10 páginas.

Quer dizer, para ser completamente sincera, eu já sabia isto tudo do Markl, mas como estas crónicas pressupõe a divulgação de um livro, tinha de fazer a ponte de alguma forma, et voilá.

Se tiverem interessados em comprar o livro e apoiar o meu projecto, podem usar o meu link de afiliado da Wook.

Podem lerem aqui a manchete do Correio da Manhã.

Podem consultar mais crónicas no link do projecto #agoracronicoeu

 

 

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