Lusófonos,  Opinião

“Flecha” de Matilde Campilho

Em Julho li “Jóquei”, de Matilde Campilho e adorei. Influenciada pelo balanço do livro, decidi ler “Flecha”, o segundo livro da autora, lançado em Julho, também pela Tinta da China, durante a minha viagem para a Suíça.

O primeiro de poesia, o segundo de prosa, estão assim categorizados, se bem que eu noto pouca diferença na estrutura dos dois – sem que isto seja um ponto negativo, muito pelo contrário, eu prefiro sempre construções abertas do que livros “engavetados”. No entanto, talvez porque a expectativa fosse alta e fui para “Flecha” à procura do ritmo da bossa-nova e da frescura da água de côco, mescladas com as raízes de alfacinhas e o toque de Brooklyn que se respira em “Jóquei”, não consegui sentir, neste segundo livro, a mesma leveza do primeiro.

Achei ligeiramente forçado, como que para corresponder a um objectivo, uma flecha que tem, obrigatoriamente, de acertar em cheio no alvo, porque dela se espera nada menos do que o primeiro lugar, da mesma forma que aquele jóquei conduziu o seu cavalo à vitória, só que neste caso, por puro amor ao cavalo e não à meta.

Regressarei a ele, até porque gostei imenso de conhecer a Matilde Campilho e, nada percebendo destas coisas, sinto muito que tem o talento de se tornar um grande nome da escrita contemporânea portuguesa, e todo o autor tem uma pedra no seu caminho – além de que encontrei opiniões bastante positivas em relação ao livro, por isso, esta é só a minha relação com ele e não deixo de aconselhar uma aventura pelos universos imemoriais que a autora proporciona.

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