Agora Cronico Eu

Não, o acesso aos livros nunca nos foi vedado!

A todos os que gritam a defesa da liberdade contra a proibição da venda de livros e fecho das livrarias, aconselho-vos a leitura deste artigo do Ípsilon.
E digo-vos ainda:
– Não, não se fecharam as livrarias porque se proibiu a venda de livros:
Fecharam-se as livrarias como se fechou tanto comércio e serviço, tais como restaurantes, cafés, lojas de roupa. entre tantos outros, unicamente porque entrámos  em período de confinamento,.
– Não, não se proibiu a venda de livros nas grandes superfícies porque se proibiu a venda de livros:
O governo considerou que o facto dos hipermercados continuarem abertos de forma a garantirem bens de primeira necessidade, a possibilidade de, ao mesmo tempo venderem livros, enquanto que as livrarias tinham sido obrigadas a fechar as portas, conferia uma concorrência desleal ao sector, ou seja: faria com que as livrarias independentes sofressem quebras ainda maiores nas suas vendas. A mesma medida não se aplica apenas aos livros, mas também à roupa, por exemplo – um livro é um bem de primeira necessidade tão importante quanto um par de cuecas!
(Incrível… O governo toma uma decisão importante a favor da sustentabilidade da economia do pequeno sector económico e é afinal é um atentado à nossa liberdade!)
AGORA:
– se esta decisão retira valor à importância que os livros têm na vida das pessoas? meus amigos, distinguir essa prioridade cabe a cada um! A mim não me afecta, até porque 80% dos livros que leio não se vendem nos hipermercados.
– se isto significa que se está a vedar o acesso aos livros?
NUNCA!
Porquê?
Sabem onde é que se vendem livros?
Nas livrarias!
Estão fechadas?
Sim, as portas.
Mas mais de 90% (acredito que este número não fuja da verdade) está viva e recomenda-se cada vez mais! Estão todas online, fazem campanhas, fsugerem, enviam para todo o país (sim, açores e madeira, para vocês também!) e algumas até oferecem portes!
– não sabem onde encontrar? (ok, vou fingir que não estamos no século XXI e há um ano trancados en casa agarrados às redes sociais…), visitem o site da RELI – Rede de Livrarias Independentes, perguntem aos vossos amigos… aliás, perguntem-se como fariam para encomendar uma pizza se tivessem fome e não vos apetecesse cozinhar. Eu, que leio, tenho o meu feed de instagram sempre colorido com fotos de livrarias! Aliás, até vos digo, estive na suíça durante dois meses e, ao final da primeira semana, já sabia a localização da maioria das livrarias da cidade onde estava.
– também já ouvi assim:
_ “ah, mas e as pessoas mais velhas que não têm acesso à internet ou ao telefone para contactar as livrarias?”
Eu respondo: Essas pessoas iam comprar livros aos hipermercados?
Essas precisam de ajuda para mais tarefas com certeza, porque não ajudar também a comprar os livros?
E, ainda… sabem o que é bonito? Se essas pessoas mais velhinhas costumavam ir comprar livros às livrarias, elas não precisam mais do que ligar ao seu livreiro e dizer que livro querem, e esse livreiro, ao final do dia, levá-lo à casa. Sabem porquê? Porque atrás da porta fechada de uma livraria continua uma pessoa, nunca esteve um algoritmo, nem nunca o livro chegou a casa molhado porque veio no mesmo saco que os congelados! Às tantas, se disserem a essa pessoa velhinha que os hipermercados não podem vender livros durante o confinamento, ela até vai perguhtar: “mas antes podiam?”
Isto é-me tudo tão fácil de entender que me espanta a indignação das pessoas com as suas fotos de livros tapados nos hipermercados, porque as usam como um atentado à liberdade, quando na realidade o que o governo quis fazer foi dar a mão ao comércio local e travar a concorrência desleal dos grandes contra os pequenos.
Não ergam bandeiras que não são vossas; aliás, não ergam bandeiras que não são bandeiras, mas sim afunilamentos de visão!
E, quando lerem uma notícia cujo título seja algo fo género: “Governo proíbe a venda de livros nos hipermercados”, leiam, de facto, a notícia e percebam o porquê, antes de começarem a atirar pedras que, nos dias de hoje, tão facilmente se convertem em avalanches. Deixo-vos aqui links para uma artigos do Público e do Dinheiro Vivo sobre o assunto.

E já agora, no meio de tanta indignação, pouco não me apercebi de movimentos contra o fecho das bibliotecas. Não sabem o que são? É aquele sítio onde os livros são de acesso público e gratuito, sem dinheiro envolvido, sabem? E enquanto tantos se debatem porque não lhes deixam comprar livros no conforto da viagem para comprar o pão, ouço calados aqueles que, só podendo comprar o pão, ficaram sem sítio para ir buscar os livros. Por isso, deixo-vos aqui o link para a peticção pública que pede a reavaliação do “Regime de Funcionamento das Bibliotecas e Arquivos Durante o Estado de Emergência”

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