A Veia da Minha Bílis,  Agora Cronico Eu

_ Porque é que alguns povos constroem casas redondas?

Durante as últimas semanas tenho visto passear por aqui o livro: “Como ler literatura” de Terry Eagleton por isso decidi ir em busca. Como tenho a mania que gosto de ler na língua original, acabei como acaba toda a gente no supermercado sem a lista de compras: trouxe o que não contava e deixei o que procurava. Parou tudo porque Eagleton escreveu um livro sobre humor e eu não podia deixar de o ler!

Em Julho passado decidi dedicar a Silly Season à leitura de humor e a verdade é que nunca mais parei. Biografias, romances, contos, guiões ou colectâneas de sketchs, horas de stand-up (obrigada Deus Netflix!), crónicas e até teoria. Oh, rir não é melhor que anti-depressivos, mas vai no bom caminho!

Muitas vezes o humor é tido como “arte menor” tendo em conta a ideia do facilitismo da piada.

_ Porque é que alguns povos constroem casas redondas?
_ Para que os filhos não mijem a cada canto!

Mas isso não significa que a literatura de humor não seja de enorme qualidade. Por norma, quando é pura e dura, pode ser mais complexa de ler para quem não esteja habituado a uma narrativa menos linear, visto que pode recorrer a uma estrutura ilógica e assenta muitas vezes em narrativas hiperbólicas, construídas através de personagens pelas quais não conseguimos criar qualquer tipo de empatia, a protagonizar acções demasiado absurdas.

Conceitos como disrupção, ironia, sarcasmo, dissimulação, cinismo, subversão, entre outros do género, são ingredientes (diria eu) essenciais ao humor e eles podem sustentar toda a narrativa, tornando-a desta forma completamente absurda, ou apenas condimentá-la, obrigando o leitor a um distanciamento emocional da obra levando-o, por momentos, por outro caminho. Ou não é o que faz Saramago, com tal beleza e mestria, nos seus ensaios (Sobre a Cegueira e Sobre a Lucidez), utilizando o sarcasmo como forma de crítica acérrima aos sistemas governamentais?

Talvez que, por vezes, a ideia que temos do humor como “arte menor”, menospreze a amplitude da mensagem que se quer passar.

Deixo aqui o pensamento porque já é meia-noite e meia e tenho de ir tomar o ben-u-ron

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