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A Máquina do Tempo Americana

A Máquina do Tempo Americana

(para facilitar, e embora seja geograficamente errado, apelidarei os Estados Unidos da América de “América” e os seus habitantes de “americanos”)

 

A ínfima parte do mundo que vibra com ficção-científica sonha com a descoberta da fórmula do seu maior ex-líbris, do seu Santo Graal: a Máquina do Tempo! Ao que parece essa porção de terráqueos pode mesmo começar a ficar em pulgas porque os americanos, que muitos nós nos habituámos a olhar como povo dado a uma estupidez acima da média, parecem estar cada vez mais perto de conseguir realizar a proeza de viajar no tempo. “Engulam Soviéticos, querem andar a brincar às guerrazinhas não é? Engulam… Quem são os parolos agora?”

Sim, continuam a ser os americanos. O problema não é estarmos a falar de viagens no tempo a nível de conceito, o que pode não interessar particularmente à ficção-científica, mas bastante à filosofia. O problema é que, quer queiram quer não, todos os americanos viajarão através desta distorção temporal. Bem pelo menos os que pertençam aos estados mentalmente capacitados para embarcar numa aventura tão visionária como esta, como por exemplo o Texas…

Se as teorias da viagem no tempo em direcção ao amanhã podem ser mais ou menos sustentadas através do cálculo da velocidade da luz e da Teoria da Relatividade de Einstein, as de volta ao ontem têm mais dificuldade de atravessar o escrutínio científico. E claro que é mesmo aqui que os americanos provam a sua grandiosidade e espírito de visão no futuro: conseguiram viajar no tempo para o passado, mais propriamente ali para os lados de 1970 e 73, altura em que foi julgado e aprovado o caso Roe v Wade, processo que resultou na legalização do aborto em todo o país. Neste momento, o Supremo Tribunal prepara-se para decidir se carrega ou não no botão da aceleração à retaguarda, sob pressão de 26 dos 50 Estados, supostamente, Unidos da América que querem reverter a lei e tornar o aborto ilegal.

Temos de tirar o chapéu a Einstein: a possibilidade de viajar no tempo é assim tão boa? É relativo! Ah, se ao menos houvesse alguém que quisesse tornar a “America great again!”

Claro que Portugal não pode ver nada e já pensa na possibilidade de importar a Máquina do Tempo Americana.

A 24 de Junho, o Supremo dos EUA acaba mesmo por reverter a decisão que estabeleceu o direito ao aborto, dando o poder de decisão sobre o assunto a cada estado. Notícia do jornal Público.

 

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