O Comboio de Karenina

crónicas acerca de saúde mental, principalmente da minha, Perturbação Obsessiva Compulsiva e de como ela ramifica para outro tipo de distúrbios com outros sintomas.

  • Agora Cronico Eu,  O Comboio de Karenina

    Como a POC mudou a minha vida

    Desde que o meu psiquiatra conheceu aquela que é a sua paciente favorita, que a vida dele nunca mais foi a mesma. Curiosamente a minha também não.   Quando em Janeiro de 2018 entrei no seu gabinete em Carnaxide, apenas consegui balbuciar entre soluços coisas que fazia para garantir a integridade da minha vida e da dos que me rodeavam; como é que era possível ir lavar as mãos sem lavar as torneiras depois de as fechar, visto que tinha as mãos sujas quando as abri? E, claro… depois de lavar as torneiras sujas, as mãos precisam ser lavadas novamente, mas depois voltávamos ao dilema das torneiras sujas. Era  impossível…

  • Agora Cronico Eu,  O Comboio de Karenina

    Diários de uma POC Cartesiana

    Quando comecei a minha psico-terapia, em Junho de 2018, decidi documentar o processo em forma de diário escrito. Em Outubro de 2019 tive aquela que seria a minha última consulta e, nesse momento, o diário fechou-se também. Foi um ano e meio de entradas metódicas e, quase, diárias. Umas curtas e outras bem longas. Toda uma descoberta de uma nova pessoa e o seu crescimento assente em folhas de papel. Para quem sofre de uma doença do foro psiquiátrico o descanso é CRUCIAL! Quando digo que estou cansada é normal que relativizem o cansaço: “Ó filha, estamos todos!”, mas a verdade é que eu canso-me muito mais do que uma…

  • Agora Cronico Eu,  O Comboio de Karenina

    Um obsessivo-compulsivo em tempo de pandemia

    Num mundo em que as palavras de ordem são: LAVEM AS MÃOS O MAIOR NÚMERO DE VEZES POSSÍVEL e FIQUEM EM CASA, ISOLEM-SE, há quem não coloque em causa as consequências que isto pode ter para um Obsessivo-Compulsivo que, na maioria dos casos, recorre ao isolamento como fuga ao confronto, crucial à sua terapia, e, para os que sofrem com rituais a nível de contágio, que tiveram de aprender a evitar as lavagens compulsivas das mãos. Além de que, para estas pessoas, o risco de contágio possa ser, significatimente menor, existe um enorme risco de comprometer meses (ou anos!!) de terapia, não falando que o estado de emergência compromete também…