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De Budonga a Budonga
Era uma vez uma barata que um dia acordou e era um Homeostético… Era uma barata. Muito barata, muito normal. Barata não no sentido depreciativo do termo, mas sim no sentido de animal ou insecto. Vivia na sua casa barata com os filhos baratos. Baratos, os filhos, também não no sentido depreciativo, mas no sentido da mãe barata. Já à casa, como não pode ter o de animal ou insecto, porque é uma casa e não um animal ou insecto, restou-lhe o tal outro sentido._ Mas o que é que me aconteceu?Tentou mexer as suas várias perninhas, mas elas haviam-se transformado em quatro membros opulentos, de estrutura e funções diferentes.…
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Poetas de Karaoke
As notícias dos últimos dias são: a actriz trans que invadiu o palco do São Luiz a reclamar um espaço que sentia seu e, claro, o custo do palco em que o Papa irá discursar nesta coisa das Jornadas Religiosas. Quando isto acontece, o que não é raro, são horas de scrolling nas redes sociais, durante dias infinitos, até conseguir limpar todas as opiniões de toda a gente do meu feed. E é nesta altura que penso: Vale a pena manter Facebook? Claro, podem responder: porque não retiras apenas essas pessoas? Quem opina sobre estas questões é, na maioria, quem mais me interessa manter, pessoas cuja opinião considero relevante. É…
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Todos os anos que te escrevo, parece que não estás cá!
dizes que és para todos, no entanto és-me mais impermeável que o maior guarda-chuva. guarda-vento. guarda-tenda. cata-vento. pára-brisas. pára-raios. raios te partam. clamas que seres é uma questão e por isso exiges que seja eu a responder por ti. não quero. cansei. sofri. chorei. pesei. também ri. despi. desnudei. senti. mas a que custo? achas que está sempre tudo bem. não há certo nem errado, mas minas-me a cabeça de egocentrismo. vão gostar? vão odiar. vão perceber? isso não se ouve lá de trás. porque é que me preocupa o que as outras pessoas pensam? quero tanto que gostem de mim. é o texto? é a cena? o ovo ou…
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Não, o acesso aos livros nunca nos foi vedado!
A todos os que gritam a defesa da liberdade contra a proibição da venda de livros e fecho das livrarias, aconselho-vos a leitura deste artigo do Ípsilon. E digo-vos ainda: – Não, não se fecharam as livrarias porque se proibiu a venda de livros: Fecharam-se as livrarias como se fechou tanto comércio e serviço, tais como restaurantes, cafés, lojas de roupa. entre tantos outros, unicamente porque entrámos em período de confinamento,. – Não, não se proibiu a venda de livros nas grandes superfícies porque se proibiu a venda de livros: O governo considerou que o facto dos hipermercados continuarem abertos de forma a garantirem bens de primeira necessidade, a possibilidade…
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Tony Soprano: o Feio, Porco e Mau que todos amamos
Porque razão amamos e odiamos Tony Soprano? Será o fascínio pelo poder que tem nas mãos, ou o carisma de James Gandolfini que nos inebria de tal modo que nos faz relativizar completamente o seu lado de assassino? Soprano é um homem que, à primeira vista, tem tanto de sedutor quanto uma ventoinha cheia de pó em pleno Inverno: grande, gordo, careca, peludo, com fio e anel de ouro no dedo mindinho – o típico Feio, Porco e Mau. Mas, a verdade é que, ao longo de 6 temporadas, esparsas em 8 anos e meio (Janeiro de 1999 a Junho de 2007) e 86 horas de pura televisão de excelência,…
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A Candura de uma folha em branco
A Candura de uma folha em branco – texto publicado na edição de Setembro de 2018 da Folha de Montemor Tempos infinitos a escrever, a sublinhar e a rasurar, a fazer crescer com o mesmo ímpeto com que se aniquila no momento seguinte, amassando a folha, outrora branca, que, sem piedade enterramos no lixo junto com os guardanapos sujos, os pelos dos cães e da gata e os restos do jantar de ontem. Talvez seja por isto que a candura de uma folha em branco assusta tanto. É como que relembrar o eterno temor de falhar perante tamanha imagem de perfeição. O temor de ter de votar ao esquecimento e…
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Cada pessoa é uma biblioteca
“Cada pessoa é uma biblioteca” ouvi eu dizer, há uns tempos, a uma psiquiatra (cujo nome não me recordo) numa sessão sobre leitura promovida pela Bertrand, a partir da inspiração que é Alberto Manguel, literário argentino que, em criança, lia em voz alta para Jorge Luís Borges, depois deste último ter cegado. Manguel fala também do indivíduo enquanto biblioteca, que se constrói a partir da “memória da memória da memória. Porque, de cada vez que lembramos algo que acreditamos lembrar, estamos a lembrar-nos de uma lembrança que é, geralmente, uma lembrança de uma lembrança. Não sabemos onde começam as lembranças.” Este “palimpsesto”, como lhe chama Manguel, é construído pelo que…
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Hoje decidi que não gosto mais do Teatro
Não tenho saudades do teatro… o teatro é mau, é feio.. deviam fazer-se manifestos contra o teatro, o bom, o mau… toda a gente devia deixar de fazer teatro. o teatro está ultrapassado, passou da validade e cheira mal de bolor….o teatro dá azia e põe as pessoas a dizer mentiras.. o teatro dói no peito e faz crescer pêlos nas pernas. O teatro faz vomitar sapos do estômago – sapos com um só olho. Eu não gosto do teatro nem da teatra. deviam queimar as tábuas e no meio do fogo dizer bem alto: BOA SORTE, BOA SORTE, SORTE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Ninguém tem saudades do papão, nem do ferrão, nem do…
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Dia do Tim/atro
Anteontem foi dia do Teatro – todos percebemos! Todos os anos eu costumo escrever ao senhor, mas este ano acho que preferiria convidá-lo para jantar. Ainda lhe liguei mas ele não atendeu, parece que tinha uma chamada importante de Cuba… não me importei. Já estou habituada, aliás, que ele me despreze e ignore os meus convites. Há uns dias, fui atrás dele e descobri onde ele vivia. Fiquei espantada. Podia pensar-se que o Teatro viveria num teatro, mas não, vive num barracão grande ali para os lados da Trafaria. Estava a acabar de pintar as paredes de preto e tinha, num canto, umas cadeiras empilhadas que tinha ido comprar ao…















